top of page
Buscar

Amores Expressos, 1994 - Wong Kar - Wai

  • MOZAICO
  • 2 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 3 de dez. de 2025

Amores expressos (1994) - O amor em meio á uma sociedade moderna


Nome: Pedro Henrique Correia da Silva

R.A : 12524142030


O amor é matéria-prima da vida; tudo o que fazemos envolve paixão e tempo, e cada entendimento sobre isso nos leva a compreender profundamente nosso próprio ser. Mas, para onde vai o amor se estamos sempre tomados pelo ritmo frenético da cidade?


É a partir dessa temática que Wong Kar-Wai explora o cotidiano de dois melancólicos policiais de Hong Kong que se apaixonam — um por uma misteriosa traficante e o outro por uma linda e sonhadora garçonete de uma lanchonete 24h — enquanto lidam com seus recentes traumas ligados ao amor. Porém, tudo isso é apresentado como apenas uma passagem dentro da imensidão da cidade: os amores que surgem em meio à multidão também se perdem com a mesma facilidade com que aparecem. É assim que o diretor constrói um ensaio sensível sobre a dualidade humana — como, ao mesmo tempo em que se pode experimentar a felicidade, a alegria e a paixão, também se está sujeito à tristeza e à melancolia, tão inerentes ao próprio amor, capazes de criar sensações tão únicas que só podem ser reproduzidas visualmente.


É o caso da imposição visual referente a um não pertencimento dos personagens, que está sempre sobreposta ao amor tão sonhado que os jovens rapazes procuram naquelas mulheres. Isso se evidencia quando vislumbramos diversas marcas famosas em seu cotidiano, como Coca-Cola e McDonald’s, exemplos de grandes impérios capitalistas. Mesmo que se vá tomar apenas um café, ele deve ser servido no copo da Coca, demonstrando como vivemos em um sistema exploratório que há muito procura destruir os sonhos e a individualidade dos trabalhadores. Tudo é igual e segue um padrão em meio à tão iluminada Hong Kong, que, mesmo sendo tão cheia, está sempre tão solitária.


Kar-Wai demonstra significados profundos em diálogos de duas ou três linhas, como forma de desenvolver até mesmo objetos inanimados como elementos de sentido para a trama. Toda presença de água na obra demonstra como a cidade chora com nossos protagonistas; essa visão nos é apresentada com a fala do policial nº 663, enquanto vê seu apartamento alagado e deixa claro que os objetos sentem tanto quanto ele aquela dor. Toalhas choram, apartamentos choram, e a chuva demonstra que tudo está ligado de forma a acontecer sem qualquer intervenção — desde uma ligação em um pager até uma carta molhada que revigora a esperança no amor. Amores podem ser passageiros, mas suas memórias podem durar séculos...

 
 
 

Comentários


© MOZAICO

  • Instagram
bottom of page