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Close, 2022 - Lukas Dhont

  • MOZAICO
  • 2 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Isabella Borges

O filme belga Close (2022), do diretor Lukas Dhont, funciona como um drama social, contemporâneo e psicológico sobre dois meninos que descobrem na pele o limite que a sociedade impõe à intimidade masculina. É um filme sobre amizade, culpa e luto, mas também sobre como escola, colegas e família empurram Léo para um modelo de masculinidade mais dura, que não aceita carinho entre garotos.


No começo, a câmera acompanha Léo e Rémi muito de perto: rostos, mãos, corpos correndo entre flores, dormindo juntos, tocando música. Essa escolha faz o público sentir a relação deles como algo natural, físico, alegre; o mundo ao redor quase desaparece, como se só existisse aquele universo particular. É aí que entra a ideia de janela e moldura de Elsaesser e Hagener: parece que o filme apenas “abre uma janela” para vermos o dia a dia dos meninos, mas ao mesmo tempo o enquadramento é muito pensado, recortando cores, movimentos e distâncias para intensificar o afeto entre eles.


Quando a pressão social aparece – os comentários na escola, os olhares, as brincadeiras que colocam em dúvida aquela proximidade – esse mesmo estilo muda de sentido. Léo se afasta, endurece, busca no hóquei no gelo um jeito mais “aceitável” de ser menino, e a câmera passa a mostrar mais separação, silêncio e rostos tensos. A janela continua “registrando” a vida dele, mas a moldura agora destaca a solidão, a vergonha e a culpa; é aí que o drama psicológico se impõe, porque vamos acompanhando, no corpo e na expressão de Léo, o peso do que aconteceu com Rémi.


Depois do suicídio, o filme reorganiza tudo em torno da ausência: os mesmos lugares ficam vazios, o som do oboé volta como lembrança dolorosa, a casa e a plantação parecem grandes demais para um menino só. Close se torna, então, um drama social sobre o custo de reprimir o afeto entre meninos e um drama psicológico sobre um garoto que tenta conviver com uma culpa impossível de nomear. A teoria do cinema como uma janela ajuda a explicar por que isso nos afeta tanto: porque o filme parece simples e “natural” por fora, mas usa cada quadro para mostrar como o mundo em volta vai apertando, aos poucos, o espaço em que essa amizade podia existir.

 
 
 

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