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Elisa y Marcela, 2019 - Isabel Coixet

  • MOZAICO
  • 2 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Nome: Larissa Mendrot Pereira Marques

RA: 12525217355

Entre o Amor e o Silêncio

Filmado em preto e branco e fundamentado em fatos históricos, o filme conta a história de duas jovens espanholas, Elisa Sánchez e Marcela Gracia, que se conhecem em um colégio religioso e criam uma conexão profunda que rapidamente se torna amor. A história conta toda a luta verídica que elas enfrentaram para viver esse amor em 1901, uma época extremamente conservadora, onde qualquer relação fora da heteronormatividade era vista como pecado ou crime. Para permanecerem juntas, Elisa assume a identidade masculina de “Mario” e as duas chegam a realizar um casamento religioso, um dos primeiros registros de união entre duas mulheres na história da Espanha. A partir desse ato, o filme segue mostrando a história do casal enquanto tenta sobreviver em um mundo que não reconhece sua existência.


Quando o vi pela primeira vez, fui marcada principalmente pela empatia que senti pelas duas, e também pela forma que a diretora Isabel Coixet se destaca com o compromisso com a verdade emocional que ela trás, toda a forma como observa, com delicadeza realista, o amor que resiste ao tempo e à violência social que elas enfrentaram. O espectador é aproximado o tempo todo da realidade enfrentada pelas protagonistas, isso é trazido com planos longos e em diversas cenas do cotidiano, silenciosas e íntimas, mostrando o ritmo lento delas caminhando pela praia, na rotina da escola, nos gestos românticos revelando nas entrelinhas a verdade íntima dessas mulheres. O afeto é demonstrado nos gestos, no silêncio e na permanência da câmera observando as duas existirem juntas. A mise-en-scène também é usada para construir significados, em vez de manipular o espectador com cortes, nada é acelerado, nada é entregue pronto. A câmera permanece como testemunha, permitindo que a ambiguidade, a fragilidade e a força dessas vidas se imponham por si mesmas.


Essa escolha reforça o que há de mais forte no filme, elas são apresentadas com muita humanidade, repletas de contradições, medos e um afeto que surge mais no silêncio do que nos discursos. Isso também se manifesta muito no modo como os olhares substituem as falas e como o corpo comunica tensão e desejo. Também exemplificado na cena do “casamento”, quando Elisa assume a identidade masculina de “Mario”, o filme não dramatiza excessivamente o momento, em vez disso, a diretora observa a situação com sobriedade, deixando o próprio espectador interpretar o quão triste é aquele momento, invés de impor emoção


Portanto, o filme mostra a coragem e o risco extremo que duas mulheres enfrentaram para legitimar seu amor em uma sociedade que não oferecia espaço algum para elas, também fazendo um gesto político, de lembrar que o amor e a busca por direitos existem há muito mais tempo do que o reconhecimento legal. Tendo uma relevância social muito grande, dando voz e recuperando narrativas LGBTQIA+ que são muitas vezes apagadas. Isabel Coixet entrega um filme que importa pelo olhar real, por ser uma história que sabemos que acontece o tempo todo.

 
 
 

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