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Hot Milk, 2025 - Rebecca Lenkiewicz

  • MOZAICO
  • 2 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Nome - Bruna Gonzalez Silva

RA - 12524111974


Crítica de Hot Milk (2025)


Antes de Hot Milk, a diretora Rebecca Lenkiewicz já era reconhecida por seu trabalho como roteirista em filmes sensíveis como Desobediência e Colette, obras que exploram temas ligados à identidade, ao desejo e aos processos de libertação pessoal. Em seu primeiro longa como diretora, ela retoma essas questões ao acompanhar a jornada de Sophie e sua mãe, Rose, que se mudam temporariamente para o sul da Espanha em busca de um tratamento alternativo. Rose sofre de uma doença misteriosa que provoca dores intensas e a mantém em uma cadeira de rodas, e esse contexto funciona como ponto de partida para o desenvolvimento emocional das personagens.


O filme segue um ritmo lento e contemplativo, apoiado em uma fotografia iluminada e quente que reforça o clima mediterrâneo e a atmosfera subjetiva proposta pela diretora. As três personagens centrais: Sophie, Rose e Ingrid, apresentam grande complexidade, mas o filme nem sempre desenvolve essa profundidade por completo. A opção por deixar muitas questões nas entrelinhas faz com que determinadas situações pareçam pouco explicadas.


O aspecto mais forte da obra está na relação entre mãe e filha. Sophie vive à sombra de Rose, dedicando sua vida ao cuidado da mãe e deixando sua própria identidade em segundo plano. Aos poucos, porém, surge um movimento de mudança: conforme Sophie se aproxima de Ingrid e desenvolve um envolvimento emocional e sexual com ela, inicia-se um processo de busca por autonomia. Ingrid funciona como um ponto de ruptura, oferecendo a Sophie um caminho possível para existir por si mesma.


Por outro lado, a construção de Ingrid como personagem é frágil. Sabemos muito pouco sobre ela, e o pouco que é mencionado não é suficiente para “justificar” suas atitudes ao longo da narrativa. Isso cria a impressão de que Ingrid está sempre usando Sophie ou a mantendo por perto apenas quando lhe convém, o que acaba contradizendo o vínculo afetivo que o filme sugere entre as duas. A falta de informações concretas sobre Ingrid enfraquece o impacto emocional da relação e torna difícil entender suas motivações.


Além disso, as cenas em que Ingrid se relaciona com outros homens na frente de Sophie soam desconectadas e deixam o espectador confuso. O filme insinua que existe um laço entre Sophie e Ingrid, mas Ingrid rompe constantemente essa aproximação ao se envolver com outras pessoas. Nenhuma dessas relações, nem as de Ingrid, nem a própria relação entre Sophie e Ingrid, é apresentada de forma clara ou contextualizada, o que faz com que essas interações pareçam desnecessárias. Em vez de aprofundar as personagens, elas dão a impressão de existir apenas para gerar conflito, sem realmente contribuir para o desenvolvimento emocional do filme.


Apesar dessas fragilidades, a estética do filme é consistente. A luz quente, a proximidade dos enquadramentos e o ritmo pausado criam uma atmosfera coerente com a proposta subjetiva de Lenkiewicz, funcionando bem dentro da lógica contemplativa da obra.


No conjunto, Hot Milk é um filme interessante e sensível, embora nem sempre equilibrado. Apresenta temas fortes e relevantes, mas deixa algumas partes excessivamente vagas.

 
 
 

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