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Joika, 2023 - James Napier

  • MOZAICO
  • 3 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Nome: Isabelly Gimenes Souza

RA: 12525158808


Joika- Uma Americana no Bolshoi


A minha escolha pelo filme de James Napier foi motivada pela experiência prévia com outro trabalho do diretor, "The Dark Horse", assistido na Mostra Mosaico. Essa experiência despertou meu interesse pelo modo de direção de Napier, especialmente pela sua abordagem sensível ao filme. Como "The Dark Horse" demonstrou uma capacidade de humanizar experiências complexas e de explorar emoções profundas, senti curiosidade em conhecer outros trabalhos do diretor, especialmente um que abordasse o universo do balé, tema que também me interessa, embora minha formação seja de bailarina com 12 anos de prática. Assim, a escolha do filme foi uma oportunidade de aprofundar minha compreensão do estilo de Napier e de refletir sobre como ele representa temas como o esforço, a perfeição e a vulnerabilidade no contexto do ballet e do sistema artístico.


Antes de assistir ao filme, minha expectativa era moderada, principalmente devido à sua temática centrada no balé, um universo que, apesar de fascinante, pode facilmente cair em clichês ou representações superficiais. A proposta do filme, que acompanha a trajetória da bailarina Joy

Womack ao ingressar na Escola Bolshoi, despertou minha curiosidade por seu potencial exploração

de questões como a busca pela perfeição, a pressão social e as tensões internas de uma jovem artista.


No entanto, minha experiência inicial foi marcada por uma sensação de irrealismo na forma como as

aulas de balé foram retratadas. Os exercícios pareciam simplificados ou deslocados do realismo técnico do balé clássico, com sequências rápidas na sala de aula e uma atmosfera sombria que

parecia mais uma tentativa de criar uma atmosfera dramática do que uma representação autêntica

do ambiente de treinamento. Essa estética escura e sombria, embora compreensível ao tentar refletir

a pressão e o transtorno psicológico de Joy, acabou por parecer exagerada e pouco convincente,

dificultando minha conexão com a narrativa.


Embora aprecie filmes experimentais ou sombrios que abordam o universo do balé, minha crítica se

concentra na necessidade de respeito pelo realismo e pela complexidade emocional dos personagens. A deturpação de elementos técnicos ou a dramatização exacerbada podem prejudicar a compreensão do espectador sobre a experiência vivida pelos bailarinos, tornando a narrativa menos autêntica. Como ex-bailarina, valorizo representações que, apesar de dramatizadas, mantenham um certo grau de fidelidade ao mundo do balé, evitando clichês e estereótipos simplificados.


Minha crítica ao filme aponta para uma abordagem que, embora tente explorar temas profundos como a busca pela perfeição e o conflito interno, peca por uma representação excessivamente dramática e visualmente sombria que compromete a autenticidade da narrativa. A falta de um

equilíbrio entre o realismo técnico e a dramatização prejudica a imersão e a compreensão das

experiências dos personagens.


Ao relacionar essa crítica à teoria de Elsaesser e Hagener sobre o cinema como espelho, especialmente pelo uso do close-up do rosto, podemos refletir sobre o papel do rosto como janela do

interior. Em "Joika", os close-ups de Joy funcionam como um espelho psicológico, revelando suas

emoções, conflitos e a tensão entre sua identidade e as expectativas externas. Esses primeiros planos aproximam o espectador de seu mundo interno, tornando o rosto um símbolo de sua luta por reconhecimento e perfeição. Assim como o espelho sugere uma dupla entre o eu que se observa e o

que é observado, o filme utiliza o rosto como meio de confrontar o espectador com a complexidade da personagem, expondo suas vulnerabilidades e ambições. Essa dinâmica reforça a ideia de que o

cinema, ao focar no rosto, não apenas cria empatia, mas também promove uma reflexão sobre os

dilemas de identidade e autoimagem, especialmente num universo tão exigente quanto o balé.


Em suma, "Joika" exemplifica como o close-up pode ser uma ferramenta poderosa para refletir o

interior do personagem, alinhando-se às teorias de Elsaesser e Hagener, e oferecendo uma ponte

entre a experiência do espectador e o universo psicológico da bailarina.

 
 
 

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