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Relatos Selvagens, 2014 - Damián Szifron

  • MOZAICO
  • 2 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 3 de dez. de 2025

Nome- Flora

Reflexos da Fúria - O Inferno são os Outros


A Teoria do Espelho propõe que o cinema não apenas representa a figura humana, mas também permite que haja uma identificação do público, com seus medos, frustrações e até idealizações.


Para retratar uma sociedade à beira de um colapso nervoso em Relatos Selvagens (2014), Damián Szifron utiliza a narrativa fragmentada de seis histórias diferentes, e sem conexão direta entre os personagens, mas unidos por um tema central: a perda de controle diante das tensões do dia a dia. Cada capítulo funciona como um reflexo das emoções reprimidas e dos impulsos inconscientes de fúria que somos obrigados a sufocar para manter as aparências e a convivência social.


As atuações são um dos pontos mais fortes do filme e sustentam tanto seu humor quanto sua carga dramática, como por exemplo Ricardo Darín, ao viver um engenheiro especializado em demolições que, ao ser sufocado pela burocracia e pelo caos do trânsito, acaba sendo levado aos poucos à beira da loucura em “Bombita''. A fotografia de Javier Juliá, é fundamental para ambientar o drama, e intensificar as emoções, já que a paleta de cores e a iluminação variam conforme o tom de cada relato, enquanto os enquadramentos mais fechados reforçam a sensação de tensão e claustrofobia que tomam conta dos personagens nos momentos em que tudo sai do controle.


Apesar de Relatos Selvagens não funcione como um espelho literal da realidade, Szifron nos apresenta uma sátira brutal e de certa forma honesta do que poderíamos ser se não houvessem os freios morais e legais sociais. O filme nos confronta com a desconfortável ideia de que, sob certas circunstâncias, a selvageria não é exceção, mas sim uma possibilidade muito humana

 
 
 

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