Uma Batalha Após a Outra, 2025 - Paul Thomas Anderson
- MOZAICO
- 2 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Uma Batalha Após a Outra (2025) - Uma caricatura definidora
Nome - Otávio Augusto Damaceno Bueno
R.A - 12524142030
Dirigido por Paul Thomas Anderson, One Battle After Another chamou atenção inicialmente por se tratar de um únicos projetos do diretor a se passar na contemporaneidade, e muito diferente de seu projeto anterior Licorize Pizza (2021) que buscava um certo refúgio juvenil dentro a contracultura setentista, o novo longa se aproxima com uma carga política muito mais evidente, sem qualquer interesse inicial de querer causar algum conforto.
Anderson aqui pinta uma América abertamente racista e xenófoba, criando sem nenhum alarde campos de concentração para imigrantes “ilegais”, dentro deste contexto surge um grupo de revolucionários dispostos a retirá-los destes campos e propagar um discurso de ruptura institucional com status quo estabelecido. Em um descuido propositalmente ridículo, membros do grupo são pegos e o restante delatados, gerando um recuo em décadas de luta, anos depois, um de seus membros fundadores tem sua filha raptada pelas forças armadas, iniciando uma busca de gato e rato entre os ex-revolucionários e militares.
Em sua recepção inicial, não foram uma nem duas vezes que pude me deparar com a afirmação de que o longa de Anderson é o filme definidor de nossa época, sua recepção foi absurdamente positiva, em diversões setores diferentes da crítica, e despontando muito rapidamente a um dos favoritos (se não o principal) para a temporada de premiações, tendo assistido ao filme, compreendo à razão das afirmações, mas tenho dificuldade de ver isso de forma positiva em qualquer nível, de fato é um longa definidor, mas como?
Anderson já afirmou em ocasiões anteriores se afastar de “comentários políticos” em seus filmes, oque evidentemente soa contraditório a natureza de seu novo longa, mas não é preciso ter conhecimento dos comentários do diretor pra perceber esse tipo de visão no filme, aqui tudo se resume a uma grande caricatura, sim, a extrema-direita é por natureza caricatural, mas isto está longe de se resumir a ela no filme, embora haja sim um tratamento diferente e algum nível de nuance em relação a forma como retrata os revolucionários, porém no fim nada importa, é tudo um grande deboche, um retrato visto de cima sobre a América, sobre como tudo hoje se resume a uma – novamente, grande caricatura.
Veja, não afirmo que o retrato caricatural do longa sobre os revolucionários ou a falta de veracidade em si seja um problema no sentido de experiência artística, não acho que a arte só seja relevante ou “boa” se representar nossos ideais, a questão é que tudo isso está na forma do filme, todo conteúdo (tema) não é separado de sua forma, o tom caricatural torna tudo indiferente, apático, nenhum dos personagens parecem importar até meados dos 25. minutos finais, compreendo que aquela realidade de pura caricatura se adeque (infelizmente) a realidade da América moderna, só é uma pena não conseguir sentir nada com isso.




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